
O projeto híbrido off-grid na balsa de açaí localizada no Rio Negro, em Manaus, é mais um dos nossos cases de sucesso. Atuamos no comissionamento, configuração, revisão de projeto e análises pós-comissionamento.
Comissionado em maio de 2021, trata-se de um sistema híbrido off-grid, ou seja, sem ligação com a rede elétrica.
Além disso, conta com geradores a diesel para backup e uma estrutura planejada para processar 20 toneladas de frutos e 12 toneladas de polpa congelada de açaí por dia.
Os painéis solares mantêm o funcionamento da fábrica flutuante, cobrindo uma estrutura de 1500m² e captando a energia solar.
PARTE TÉCNICA

Equipe Ideatek na balsa flutuante
Assim como o Projeto Quirinópolis e o Projeto Ilha do Japão, o sistema em operação na balsa também é Off-Grid. Isso significa que ele está desconectado do Sistema Interligado Nacional (SIN)
Agora vamos falar um pouco sobre os componentes desse sistema:
INVERSORES DE BATERIAS
Os inversores de baterias controlam e operam todo o sistema, enviando os comandos para acoplar e desacoplar o grupo gerador.
Na balsa, utilizamos 24 inversores de baterias de alta potência.
Esses inversores são organizados em grupos de três unidades, formando uma estrutura trifásica capaz de estabilizar e sincronizar a rede elétrica necessária para a operação do sistema.
Na Balsa, instalamos 8 grupos de operação trifásica, assim como em projetos anteriores. Cada grupo conta com uma unidade principal responsável pela coordenação e controle do sistema.
Essa unidade central é responsável por coletar as informações dos demais inversores e integrá-las ao sistema de supervisão, em questão de segundos.
MUTICLUSTER BOX
A MultiCluster Box é o quadro de conexão CA, onde conectamos todos os inversores (fotovoltaicos e de bateria), além do gerador a Diesel.
Possui contatoras, circuitos e seccionamentos capazes de operar em alta corrente.
INVERSORES FOTOVOLTAICOS
Os inversores fotovoltaicos são os equipamentos capazes de transformar a energia proveniente dos painéis fotovoltaicos de Corrente Contínua para Corrente Alternada, injetando esta corrente em uma rede estabelecida pelos inversores de baterias.
Aqui, utilizamos quatro inversores fotovoltaicos de string, cada um com potência nominal de 50 kW.
GERENCIADOR DE DADOS
O sistema de gerenciamento de dados é o equipamento de comunicação e controle responsável por centralizar as informações operacionais dos inversores, permitindo o monitoramento do desempenho do sistema e a supervisão em tempo real da planta.
Através dele, é possível realizar configurações específicas dos equipamentos e ajustar parâmetros operacionais conforme a necessidade do projeto.
BATERIAS E PAINÉIS
As baterias têm a função de acumular a energia excedente gerada pelo sistema fotovoltaico e disponibilizá-la em momentos de baixa irradiação solar ou durante a noite.
Dessa forma, utilizamos 64 unidades de baterias de lítio de alta capacidade, totalizando aproximadamente 882,2 kWh de armazenamento. Consequentemente, para os painéis, foram instalados 675 módulos fotovoltaicos em uma área de 1500 m².
A equipe foi responsável por garantir o correto funcionamento de todos os equipamentos do sistema, incluindo inversores fotovoltaicos, inversores de baterias e os sistemas de controle e interconexão da planta.
Vale ressaltar que a balsa apresenta condições extremas, como por exemplo, a temperatura interna chegando a 50º C. Ainda assim, os equipamentos demonstraram sua versatilidade ao funcionar corretamente mesmo neste tipo de ambiente.
IMPACTO PÓS PROJETO

O projeto híbrido da balsa de açaí no Rio Negro trouxe resultados positivos para a região, alinhando inovação e sustentabilidade.
Primeiro, a operação off-grid com energia solar reduziu a dependência de combustíveis fósseis. Isso contribuiu para a diminuição das emissões de poluentes e ajudou na preservação do ambiente amazônico.
Além de um impacto ambiental positivo, a balsa se tornou um modelo para outras indústrias que buscam operações mais limpas em locais remotos.
O projeto também impulsionou diretamente a economia local, uma vez que a balsa-fábrica gerou mais de 50 empregos diretos, oferecendo oportunidades e renda às comunidades ribeirinhas. A compra direta do açaí dos produtores locais, realizada pela Transportes Bertolini, fortaleceu a cadeia produtiva e valorizou o trabalho regional.
Além disso, a balsa possui uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). Essa estação tratou 15 mil litros de rejeito por hora, devolvendo a água aos rios com qualidade aprimorada. Essa medida minimizou o impacto no ecossistema hídrico da Amazônia, protegendo a vida aquática e os recursos naturais.
Em suma, o projeto híbrido off-grid da balsa de açaí demonstrou a nossa capacidade em desenvolver soluções eficientes em ambientes desafiadores, sendo um exemplo prático de como a tecnologia e a sustentabilidade podem beneficiar o meio ambiente e as comunidades locais na Amazônia.



